quarta-feira, 9 de setembro de 2009

!!! O Irã é aqui !!!

Enquanto a gente fica pasmo ao receber notícias sobre gays no Iraque e Irã que são alvos de perseguições por parte de mílicias religiosas, nem nos damos conta de que dramas parecidos acontecem também em terras brasileiras. É isso o que revela uma reportagem do jornal carioca "O Dia". Com base em um levantamento da ONG Conexão G, a publicação aponta o cotidiano de terror vivido por homossexuais assumidos em favelas do Rio de Janeiro. A população LGBT estaria na mira de traficantes e milicianos nas comunidades onde vivem, sendo humilhados, expulsos, torturados e até assassinados. De acordo com a Conexão G, com sede no Complexo da Maré, ao menos um homossexual é agredido todos os dias nas favelas da cidade.
A reportagem conta histórias inquietantes como a de um professor gay que teve a casa incendiada: "Consegui quebrar a janela do quarto, por onde saí. Na rua havia várias pessoas que, mesmo com meus pedidos de ajuda, permaneceram de braços cruzados. Alguns até dizendo que ‘veado’ tinha que morrer mesmo", contou. Uma comerciante contou ter sido espancada por dois homens pelo simples fato de ser lésbica.
A psicóloga Sílvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, afirmou que ainda há poucos dados sobre a realidade de LGBTs nas comunidades carentes do Rio, mas reconheceu que ser gay numa favela é mais perigoso do que em bairros da classe média.
A realidade fez com que Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, ameaçasse denunciar o governo brasileiro à Organização das Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. "Bater e matar homossexual já virou entretenimento popular nas favelas. Mas não vamos ficar assistindo a esse 'homocausto' de braços cruzados. Já que não temos força política para brigar por nossos direitos, esta é uma maneira de tentar nos proteger dessa violência", disse.